Entenda papel da Coronavac, desafio da Fiocruz e quais vacinas ainda podem chegar ao país.

04/03/2021
Nesta quarta, cúpula do Ministério da Saúde decidiu que vacinas da Pfizer e da Janssen serão compradas pelo Brasil. Governo prevê mais de 400 milhões de doses, mas ainda é preciso, em alguns casos, concluir acordos e garantir aprovação da Anvisa.

Os postos de vacinação no Brasil ainda não viram suas geladeiras abastecidas com a compra de vacinas de novos fornecedores, embora nesta quarta-feira (3), o governo federal tenha sinalizado com novos acordos com farmacêuticas. Até que contratos sejam assinados ou entregas sejam efetuadas, a CoronaVac e a Covishield (vacina de Oxford/AstraZeneca) são as únicas possibilidades concretas do Plano Nacional de Imunizações (PNI).

Mas, se as previsões do governo se concretizarem, os próximos meses devem ser marcados pela diversificação dos fornecedores e mais doses.

  1. CoronaVac (Sinovac/Butantan): responde por 73,9% das doses já aplicadas (mais de 5,8 milhões de pessoas) e Covishield (AstraZeneca/Oxford/Fiocruz) por 26,1% das doses (mais de 2 milhões de pessoas)
  2. Fiocruz ainda não está entregando doses da Covishield; instituto prevê protagonismo em abril com entrega de 30 milhões de doses
  3. Pfizer e Janssen: governo decidiu fazer a compra; expectativa é por 100 milhões de doses da Pfizer e 38 milhões da Janssen
  4. Sputnik V: governo prevê 400 mil doses em março, mas ainda não há aval da Anvisa para o uso
  5. Covaxin: governo diz ter assinado compra de 20 milhões de doses; empresa divulgou eficácia de 80% em estudo preliminar
  6. Covax: Brasil aguarda, ainda em março, a chegada de primeira entrega das doses compradas em consórcio organizado pela OMS
  7. Total de doses: considerando tanto as "compras futuras" quanto as "intenções", Brasil prevê 454.911.800 doses (dado do governo não contabiliza as possíveis doses da Pfizer e Janssen)

Status da vacinação

A vacinação no Brasil começou no dia 18 de janeiro. De lá para cá, mais de 7 milhões de pessoas já receberam ao menos uma dose das vacinas CoronaVac ou Oxford, segundo números da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde.

  • 73,9% receberam a CoronaVac
  • 26,1% receberam a vacina de Oxford

Até agora, mais de 17 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 foram entregues aos governos estaduais, segundo o Ministério da Saúde. A previsão, segundo cronograma atualizado em 28 de fevereiro, é de comprar mais de 414 milhões de doses até janeiro de 2022.

As possíveis vacinas para o Brasil

No dia 28 de fevereiro, o Ministério da Saúde divulgou uma atualização do cronograma de entregas e quantidades previstas das vacinas contra o coronavírus. Na lista, constam as vacinas:

  • CoronaVac (Butantan)
  • Covishield (Oxford/Fiocruz)
  • Covaxin
  • Sputnik V
  • Pfizer/BioNTech
  • Janssen (Johnson)
  • Moderna
  • Covax Facility – iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS)

Apenas três imunizantes da lista foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As vacinas CoronaVac e Oxford foram liberadas para o uso emergencial no país. Já a Pfizer/BioNTech obteve o registro sanitário definitivo.

Previsões de doses a partir de março

O cronograma é dividido por doses contratadas, negociações "em tratativas" e "possibilidades". Oxford/Fiocruz, CoronaVac/Butantan, Covax Facility e Covaxin/Precisa Medicamentos aparecem como doses confirmadas; Sputnik V e Moderna estão "em tratativas"; Pfizer/BioNTech e Johnson são sinalizadas como "possibilidades" no documento.

De acordo com o Ministério da Saúde, o total contratado até 31 de janeiro de 2022, junto com "compras futuras", é de 414.911.800 doses. Se somar as "intenções", esse número sobe para 454.911.800 doses. O governo não contabilizou as possíveis doses da Pfizer e Johnson.

“A partir desta semana, já há uma estabilização da produção nacional, pelo Butantan e pela Fiocruz. Vamos ter entregas em quantidades muito boas. É o tempo de vacinar e chegar mais vacinas", afirmou, em nota, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Covishield (Oxford/Fiocruz)

A vacina de Oxford, que ganhou o nome de Covishield no rótulo das doses preparadas na Índia, foi a principal aposta do governo federal, que comprou doses prontas e vai envasar e produzir doses no país por meio da Fiocruz.

Em entrevista a Reuters, o diretor da unidade da Fiocruz produtora de imunobiológicos diz que o instituto garantiu a chegada de vacinas já envasadas e trabalha para preparar estruturas e atender exigências da Anvisa para acelerar a produção local. A meta é ter o próprio ingrediente farmacêutico ativo (IFA) e produzir 110 milhões de vacinas com o próprio IFA no segundo semestre.

Atualmente, a Fiocruz enfrenta um atraso para o envasamento de doses da vacina da AstraZeneca a partir do IFA importado. Originalmente, a entrega das primeiras doses ao Ministério da Saúde estava prevista para fevereiro, mas a demora na chegada do IFA adiou para meados de março.

  • Março: 5,8 milhões
  • Abril: 32 milhões
  • Maio: 27 milhões
  • Junho: 27 milhões
  • Julho: 16,6 milhões
  • TOTAL: 108,4 milhões

O Ministério prevê receber, de agosto até dezembro de 2021, mais 110 milhões de doses, todas fabricadas no Brasil.

CoronaVac

Apesar da resistência inicial do governo federal, o imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o instituto Butantan é o principal em uso no país. A previsão das próximas entregas prevê:

  • Março: 22,7 milhões
  • Abril: 12.920.118
  • Maio: 6.032.258
  • Junho: 6.032.258
  • Julho: 13.548.387
  • Agosto: 13.548.387
  • Setembro: 8.806.452
  • TOTAL: 83.587.860

De outubro a dezembro deste ano, a previsão é de receber mais 30 milhões de doses da CoronaVac.

Covax Facility

O Brasil deve receber 10,6 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 pela Covax no primeiro semestre. A iniciativa da OMS visa garantir o acesso equitativo às vacinas contra a Covid-19. A vacina disponibilizada será a da AstraZeneca.

  • Março: 2.668.200
  • Maio: 8.004.600

Até o final do ano, país deverá ter 42 milhões de doses, segundo o Ministério da Saúde.

Covaxin

Na semana passada, o Ministério da Saúde disse que assinou um acordo para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin, desenvolvida na Índia pela farmacêutica Bharat Biotech. O investimento foi de R$ 1,614 bilhão, de acordo com a pasta. O imunizante ainda não teve seu uso autorizado pela Anvisa.

Nesta quarta (3), a Bharat Biotech disse que a Covaxin é 80,6% eficaz na prevenção de casos sintomáticos da doença. Os dados são preliminares e não foram publicados em revista científica.

  • Março: 8 milhões
  • Abril: 8 milhões
  • Maio: 4 milhões

Sputnik V

A utilização da vacina Sputnik V, do instituto russo Gamaleya, ainda depende de fechamento do acordo e de aprovação da Anvisa. Segundo o governo, a negociação está “em processo das tratativas finais” para a compra da vacina. O imunizante ainda não teve seu uso autorizado no Brasil pela Anvisa. A previsão de entrega de doses, após o contrato ser assinado, é de:

  • Abril: 400 mil
  • Maio: 2 milhões
  • Junho: 7,6 milhões

Pfizer/BioNTech

A vacina da Pfizer/BioNTech é o único com registro sanitário definitivo, concedido pela Anvisa. O governo vinha resistindo à compra de vacinas da Pfizer sob o argumento de que o laboratório impunha condições "draconianas".

A decisão pela compra das vacinas dos dois laboratórios foi tomada em razão da aprovação nesta terça (2) pela Câmara de projeto que facilita a compra de vacinas por União, estados, municípios e empresas.

Na previsão mais recente, a proposta apresentada pela Pfizer e aprovada pelo Ministério da Saúde prevê 8,715 milhões de doses até junho; 32 milhões até setembro; e 59,285 milhões até dezembro — no total, são 100 milhões de doses.

Janssen - Johnson&Johnson

Assim como a Pfizer, a vacina da Johnson também entrou como "possibilidade" no cronograma, mas a compra já é dada como definida na cúpula do governo. Ela ainda não teve seu uso liberado no Brasil, mas tem uma vantagem sobre as outras: é uma vacina de dose única.

A proposta da Janssen seria de fornecimento de 38 milhões de doses no segundo semestre. Um dos pontos da negociação é a instalação de um parque de produção do laboratório no Brasil.

Moderna

A vacina da Moderna também aparece na tabela, mas não existe a confirmação da compra. Por isso ela é tratada como uma "possibilidade". O total de doses previstas para janeiro de 2022 é de 30 milhões.

CARRETA ON LINE

Fonte: G1.

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